O ponto de partida do meu processo de criação é a desconstrução de imagens onde o significado é deslocado e a interpretação torna-se multifacetada. Minhas referências são objetos cotidianos e paisagens, onde as cores são prioridades em relação ao objeto. 

A narrativa do meu trabalho trata a relação entre as cores, o papel e o gesto. Elaboro um processo de continuidade entre os trabalhos na qual através da monotipia a troca de matéria resulta em um único diálogo. Esse processo acontece com a sobreposição de cores formando camadas de tinta onde algumas são apagadas pela impressão entre os diversos trabalhos. A somatória de camadas de tinta e a retirada da mesma com outro suporte revela uma nova imagem, um novo trabalho. O resultado indica que há algo entre o que foi apagado e o novo gesto.

No conflito entre a matéria e a ideia o inesperado pode acontecer e fazer parte do trabalho. Absorvo o rasgo e o enrugar do papel. 

A importância das camadas que aparecem através do apagamento é o que me motiva a levar o espectador a significados em que ficção e realidade se encontram 

Falo sobre a dificuldade da comunicação e a tentativa de diálogo. As fitas são referências aos livros, assim como as linhas são para as escritas.


Genesis é o primeiro livro, a origem e o princípio. Através da leitura e da escrita nos comunicamos com o outro. 

Me interessa a dualidade das oposições entre a estrutura frágil do papel e a firmeza da fita. Gravar o caminho da fita na superfície do papel para além das linhas do desenho, apontando também as rugas e ranhuras geradas pelo atrito desta colagem.